Acerca do «Mundo flutuante»

segunda-feira, 23 de julho de 2012

1ª. Maratona de Leitura «24 horas a ler» na Biblioteca Pública Municipal da Sertã

A primeira Maratona de Leitura 24 horas consecutivas a LER decorreu das 10h00 de sábado, dia 14, às 10h00 de domingo, dia 15 de Julho, na Biblioteca Municipal Pe. Manuel Antunes, na Sertã. 

O Senhor Presidente inaugurou a Maratona que teve início no terraço da Biblioteca.

Muitos dos primeiros contos da manhã foram canções...

e as crianças foram as grandes protagonistas.

As pinturas faciais deram o tom festivo...

e muitos livros para os mais novos saíram das estantes.

Os escuteiros tomaram a seu cargo uma hora de histórias.

O microfone ajudou os leitores mais pequenos...

e permitiu que as leituras fossem ouvidas por muitos dentro e fora da Biblioteca.

Quando a noite caiu, acenderam-se as lanternas...

e as velas que toda a noite anunciaram a leitura na Biblioteca.


Os adultos


e os mais velhos foram chegando...

e o frio da noite também!



Viemos então para dentro e a Clara preparou chocolate quente e bolinhos para todos!

Alguns não resistiram ao sono,
   
mas um grupo de incondicionais encheu a noite de histórias de mistério..
  
de terror e de medos...

Nas primeiras horas do novo dia, ouvimos histórias de encantar e poemas.

Às oito horas o senhor Padre deu início à leitura de histórias da Bíblia...

que os últimos maratonianos continuaram.

Quando chegaram as 10h00 da manhã...

o Coro Sertanense encerrou a Maratona da Leitura, encantando-nos a todos!

Diversos foram os testemunhos deixados na entrada da Biblioteca...

...sobre uma noite extraordinária que envolveu várias centenas de pessoas de todas as idades, muitos dos quais ali se (re)conheceram pela primeira vez.

Juntos vivemos um projecto único no nosso país e experimentámos a alegria de nos encontrarmos com e nos livros e nas leituras. Queremos repetir e recomendamos vivamente que experimentem fazê-lo connosco. 

Até para o ano!



terça-feira, 3 de julho de 2012

Mistérios da Europa: 21º. Maratón de los Cuentos de Guadalajara

Cartaz 2012
Celebrou-se no fim de semana de 13 a 15 de junho o 21º. Maratón de los Cuentos de Guadalajara, este ano subordinado ao tema Mistérios da Europa.
E porquê Mistérios da Europa? Para tentar explicar o que não tem explicação! Neste difícil início do século XXI, pareceu importante à organização do Maratón convocar representantes de todos os países do espaço europeu para darem a conhecer mistérios dos seus países, tão diversos quanto por vezes surpreendentemente similares:  Porque cada pueblo ha tratado de interpretar con historias aquello para lo que no encontraba explicación racional, y aunque la táctica no parece haber conseguido el objetivo que buscaba  -las grandes preguntas siguen en pie- ha producido un rico patrimonio inmaterial que aún hoy continúa creciendo porque, ¿qué son las leyendas urbanas si no nuevos intentos de explicar lo que no tiene explicación? 
Pela terceira vez, o projecto da associação de promoção da leitura que promove o Maratón de los cuentos foi contemplada com um financiamento do programa Cultura 2007/2013 da União Europeia (Apoio a festivais) e pôde deste modo reunir trinta contadores, um de cada país do espaço europeu, para divulgarem e reflectirem em conjunto, num seminário realizado entre os dias 12 e 15, historias de misterio (que) son las que, cuando terminan, dejan más preguntas que respuestas!
Maratón 2012.
Para além deste seminário, desenrolam-se, como sempre, dezenas de eventos em simultâneo: nas ruas, em espaços monumentais, no Teatro Moderno, nos jardins do Palácio. E este ano trinta contadores representando a Europa (de Portugal: os Andante, António Fontinha e Luís Carmelo) contaram também, nas suas línguas, com tradução simultânea ou consecutiva, juntando-se aos mais de mil contadores que contaram para milhares de espectadores atentos ao longo de cerca de 48 horas ininterruptamente. 

Espectáculo de rua.
Neste ambiente de Mil e uma noites que envolve o Palácio do Infantado, é contudo no cenário montado no grande Pátio dos Leões que vive o coração palpitante deste evento, o que o torna único entre todos: narradores profissionais, políticos, escritores conhecidos irmanam-se a milhares de contadores anónimos: crianças, mais velhos, adultos... Em Guadalajara, todos aprendem a contar em público e, não menos importante, a... saber ouvir. 
Para que esta festa da palavra contada aconteça, dezenas de pessoas dedicam-lhe durante muitos meses o melhor de si mesmas, mais de duas centenas de voluntários apoiam-na incondicionalmente durante vários dias, e toda a cidade nela participa de diferentes formas: do acolhimento a todos quantos chegam para los cuentos, à escuta activa, hora após hora, de todo o tipo de histórias.
Uma experiência única e irrepetível de encontro e de partilha, de vivência do eu interior e do inconsciente colectivo, do melhor de todos e de cada um de nós. 

Até para o ano!
Despedida 2012.
PS: Gracias a Borron y Cuento Novo por las fotos y a Stop20motion por el vídeo...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

V Tábua de Leituras: numa Biblioteca feita de sorrisos

Biblioteca Municipal João Brandão
Teve lugar na semana passada a 5ª. edição da Tábua de Leituras, um Encontro anual onde de há cinco anos a esta parte se reúnem diversos especialistas em leitura, literatura, livros e bibliotecas. Como em outros encontros similares, esta iniciativa é dirigida a adultos, crianças e jovens do concelho, muito embora seja aberta à participação de técnicos de concelhos próximos. Do mesmo modo que em outros encontros, a reflexão e o debate teóricos seguem de par com oficinas que oferecem formação variada, trocam-se ideias, discutem-se projectos e vivem-se momentos de pura fruição da literária, muita poesia e contos...

Programa
Aquilo que torna as Tábuas de Leitura um encontro diferente de outros é o facto de ser também uma mostra do trabalho anual realizado por uma equipa extraordinária!! Constituída por cerca de 12 técnicos de biblioteca e de outros tantos voluntários que se afirmam, sorridentemente, todos muito felizes com o seu trabalho, este grupo congrega diferentes especializações: um informático, uma designer, uma actriz, uma técnica de promoção de saúde, uma animadora cultural... E, se é verdade que todos eles foram com certeza escolhidos pelo seu dinamismo e espírito de iniciativa, todos eles foram também incentivados a apostarem nas respectivas áreas de especialização e a todos foi oferecida formação complementar sobre promoção da leitura.

Sorrisos de parte da equipa e amigos
Como não existe uma excelente equipa sem um excelente líder, é a Ana Paula Neves que se deve a responsabilidade por todo o trabalho de concepção e consolidação deste projecto. Com um profundo conhecimento da sua comunidade, uma inequívoca vocação para a leitura pública e uma vontade de ir sempre mais longe, Ana Paula Neves conduz este processo há cerca de quinze anos, antes mesmo de a Biblioteca existir. 

Ana Paula Neves

Assim se compreende que a Biblioteca venha conquistando a adesão da comunidade e o reconhecimento público de todos os que a conhecem, tendo inclusivamente sido distinguida, em 2010, com um apoio financeiro da Fundação Gulbenkian, no valor de 30 000 €, para um projecto bienal de promoção da leitura. Ao assentar numa verdadeira partilha de conhecimentos, competências e ideias, o trabalho da Biblioteca viu alargarem-se as fronteiras da intervenção na comunidade, muito para além das suas centenárias paredes de granito...

Luísa Ducla Soares, a autora de eleição da V Tábua de Leituras
Luísa Ducla Soares, a autora convidada deste ano, dizia-nos: Nunca estive numa biblioteca onde todos me dissessem: aqui somos muito felizes... O que, não podemos deixar de sublinhar, é em si mesma uma afirmação extraordinária! Surpreendida e encantada com uma exposição lindíssima, original e sensível sobre a sua obra (da autoria da designer Fátima Pais cujo trabalho convido todas as Bibliotecas a conhecer com carácter de urgência), Luísa Ducla Soares foi presenteada com dezenas de minúsculos livros de cordel sobre os seus livros, da autoria de parte das crianças que visitaram esta exposição.

121 títulos publicados, muito mais do que um por quase todas as letras do alfabeto.
Montagem dos livros de cordel, exemplares únicos oferecidos à autora.

O vampiro (o próprio!) que só gostava de groselha, uma das histórias mais actuais de Luísa Ducla Soares.
Todos os presentes com quem falámos foram unânimes em salientar o cuidado colocado nos mais pequenos pormenores da organização das Tábuas de Leitura, na hospitalidade e no carinho com que todos são recebidos, nas aprendizagens aí realizadas, na troca de informação e de ideias, no incentivo à dinamização de outros projectos, na vontade manifesta de voltar para o ano... outra vez.

Obrigada, Biblioteca Municipal João Brandão!
PS: Mais fotografias deste Encontro aqui!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

«Abraçar o mundo sem deixar ninguém de fora»: serviços de extensão bibliotecária e cultural das Bibliotecas Públicas portuguesas: as BIBLIOTECAS CAIXA *



Os serviços de extensão bibliotecária e cultural das Bibliotecas Públicas radicam na respectiva vocação universal − oferecer a todos toda a informação disponível − que é simultaneamente a característica identitária e a imagem de marca da Bibliotecas Públicas. Com efeito, mais do que qualquer outro equipamento cultural, a Biblioteca Pública − ao assumir-se como ponto de convergência entre o indivíduo e a comunidade, o passado e o futuro, o conhecimento e o lazer − encontra-se estruturalmente vocacionada para proporcionar a possibilidade de nos conhecermos a nós próprios e ao mundo à nossa volta.
 
ORIGEM

Na segunda metade do século XIX, o regime liberal, ao promover uma nova política para a cultura, começa a publicitar em Portugal a ideia de biblioteca pública: um equipamento cultural cujo objectivo é o de alargar o conhecimento às mais vastas camadas da população e a todo o espaço nacional.

Neste sentido, a tentativa de levar a cabo uma política integrada de bibliotecas vai consubstanciar-se, entre outra documentação, no Decreto de 2 de Agosto em 1870 que propõe a criação de bibliotecas populares, um novo tipo de bibliotecas que reuniriam os conhecimentos elementares e se destinavam às classes mais necessitadas. Este decreto obrigava cada câmara a criar pelo menos uma biblioteca na capital do concelho. As juntas de distrito e as juntas de paróquia eram igualmente autorizadas a organizar bibliotecas populares.

Este documento vem pois consagrar, no nosso país, uma grande mudança: a alteração do paradigma de biblioteca substituindo o das grandes bibliotecas-livrarias conventuais, espaços de introspecção e de cultura dirigidas a comunidades restritas de leitores. Os ideias republicanos incentivam deste modo a criação de grandes bibliotecas públicas do regime, nas capitais de distrito, bem como de bibliotecas populares, mais pequenas , que se pretendiam espaços de instrução e de informação, adstritas a instituições de ensino, profissionais e de classe.

Esta mudança implica, então, também uma mudança do público a que as bibliotecas se destinam: do leitor mais contemplativo e erudito do passado para um novo leitor-utilizador mais activo que necessita de novos conhecimentos que o ajudem a adaptar-se a uma nova realidade social, económica e técnica.

Nasce, assim, em Portugal o conceito de Biblioteca Pública como hoje a conhecemos.

Os serviços de extensão bibliotecária constituem, pois, parte integrante das Bibliotecas Públicas e estão patentes na documentação através da qual a República vai tentar pôr em prática os serviços característicos destas novas bibliotecas que os documentos da época referem explicitamente: para além do livre acesso, do empréstimo domiciliário, das salas infantis…:

      a leitura nos Caminhos de Ferro,
      a leitura nos hospitais,
      a leitura nas prisões e...
      as colecções móveis.

De todos estes serviços, o que se viria a tornar mais popular e duradouro foi o das bibliotecas móveis, designação do início do século XX para as bibliotecas-caixa.

 
BIBLIOTECAS-CAIXA: as grandes protagonistas

Com efeito, a constatação da ausência de bibliotecas populares, em 1914, levou os então Serviços de Inspecção das Bibliotecas Populares e Móveis, da administração central, a iniciar um processo centralizado de organização e «distribuição» de bibliotecas. Segundo Augusto Pereira de Betencourt Ataíde, estas novas bibliotecas móveis inspiravam-se nas pequenas traveling libraries instaladas em carros de rodas que acompanhavam os trabalhadores das florestas, minas e vias férreas da Austrália e do Canadá. Segundo este funcionário dos Serviços de Bibliotecas da República, a versatilidade destas bibliotecas explica por que foram rapidamente adoptadas para difusão da leitura em localidade distantes, sob a forma de caixas e caixotes de todos os tipos, em diferentes países (Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega).

A primeira biblioteca móvel portuguesa é, pois, a CAIXA-ESTANTE, modelo proposto por Augusto Ataíde, adaptado das congéneres alemãs e registado em 1914 pela Inspecção das Bibliotecas e Arquivos. Concebida como uma biblioteca autónoma, dado que integrava estantes, livros, catálogo e sistema de empréstimo, esta biblioteca móvel foi pensada de modo a poder adaptar-se a todos os tipos de transporte, nomeadamente as carroças e o caminho de ferro, «enquanto o automobilismo, revolucionando o serviço da bibliotecas ambulante, as não fizer regressar ao primitivo tipo de instalação em carro, embora notavelmente melhorado». A biblioteca móvel de Tipo A tinha capacidade para 400 livros. A do tipo B, 200.

Biblioteca móvel de tipo A (400 livros)

Em 1922, circulavam no nosso país 22 bibliotecas móveis de tipo B, e em 1926, 19. Não temos conhecimento da existência efectiva das de tipo A.

As bibliotecas móveis portuguesas do início do século XX estão, como todos hoje sabemos, na origem das bibliotecas-caixa dos nossos dias, as quais no seu conjunto não podem deixar de ser consideradas as grandes protagonistas dos serviços de extensão bibliotecária no nosso país. Com efeito, o serviço de extensão bibliotecária mais difundido em Portugal, em geral concebido e coordenado pelas Bibliotecas Públicas, é o das bibliotecas-caixa: colecções de livros periodicamente renovadas e emprestadas colectivamente a escolas, lares, centros de dia, hospitais, prisões, cafés, etc.

Sob inúmeras variantes, como as caixas de madeira, próximas da Biblioteca móvel de tipo B, ou as Bibliomalas de Arouca, com capacidade para cerca de 25 livros, que são distribuídas pela Biblioteca Itinerante e, quando abertas, se transformam em estante.
    
Bibliomalas de Arouca 2007

Sob a forma de baús em verga, como em Águeda:

Biblioteca Municipal de Águeda – 2006

Ou de caixas em plástico, como as da Biblioteca Municipal de Porto de Mós, que as disponibiliza aos Jardins de Infância, Escolas do 1º. Ciclo do Ensino Básico, Lares e Centros de Dia do concelho.

Porto de Mós - 2008


Porto de Mós - 2008
Ou ainda, agora atualizadas, sob a forma de malas de viagem com rodas, como as Bibliomalas com capacidade para 25 livros da Biblioteca e Centro de Recursos da Escola EBI /JI de Montenegro:

Montenegro, Faro - 2007
A partir do final dos anos 90, foram concebidos alguns projectos de bibliotecas móveis destinados a alguns países dos PALOP, como as que o ex-Instituto Português do Livro e das Bibliotecas ofereceu diversas Bibliotecas itinerantes a Timor e a Moçambique, em fabricada em contraplacado marítimo e pronta a funcionar como estante.

Bibliotecas móveis para Timor e Moçambique – DGLB - 1998


Já o projecto das Bibliotecas Móveis de Saúde, uma iniciativa da Ordem dos Enfermeiros e do Conselho Internacional dos Enfermeiros (ICN), optou por malas de viagem também muito resistentes: oferecem informação actualizada e obras de referência nas áreas da Medicina e da Enfermagem, em português, a profissionais de saúde em áreas remotas ou onde o acesso à formação é particularmente difícil. Em 2007, estas Bibliotecas móveis foram enviadas para São Tomé, Moçambique e Angola.



Biblioteca móvel para Cabo Verde – 2008


BIBLIOGRAFIA

ATAÍDE, Augusto Pereira de Bettencourt –  A organização da primeira biblioteca móvel portuguesa. Anais das Bibliotecas e Arquivos de Portugal. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1915, vol. 1 n. 3 p. 89-94: [Em linha]. [Consult. 06-10-2009]. Disponível em WWW: <http://purl.pt/255/2/P36.html>
 

BARATA, Paulo J. S. Os livros e o liberalismo: da livraria conventual à biblioteca pública: uma alteração de paradigma. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2003. ISBN 972-565-368-8


MARÇAL, Nuno O Papalagui: crónicas de um bibliotecário ambulante: [Em linha]. [Consult. 06-10-2009]. Disponível em WWW: <http://opapalagui.blogspot.com/>

NUNES, Henrique Barreto Nunes Da biblioteca ao leitor: estudos sobre a leitura pública em Portugal. Braga: Autores de Braga, 1996

 

MELO, Daniel Leitura e leitores nas bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957-1987): [Em linha]. 2004.[Consult. 06.10.2009]. Disponível em WWW: <http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2004/WP1-2004.pdf>

TRINDADE, Luís. A leitura pública no Portugal contemporâneo (1926-1987). Etnográfica: [Em linha]. Maio 2006, vol.10, no.1, p. 209-211. [Consult. 06-10-2009]. Disponível em WWW: < http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612006000100015&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0873-6561

VILARINHO, Fernando As bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (1958-2002). Bibliotecas em Portugal: [Em linha]. 2006. [Consult. 06/10/2009]. Disponível em WWW: < http://bep-suporte.blogspot.com/2006/12/as-bibliotecas-itinerantes-da-fundao.html>


O presente texto, que data do final de 2009, foi redigido em parceria com a minha colega Catarina Costa Macedo e tem por base uma ampla e diversificada pesquisa da documentação que a Internet nos oferece, a qual, como sabemos, é fruto de inúmeros contributos individuais. Neste sentido, e porque acreditamos que o conhecimento é na sua essência colectivo e partilhado, apenas nos pareceu necessário mencionar, na Bibliografia, as principais referências documentais de que nos socorremos para redigir este texto. Assim, cumpre-nos afirmar que, do nosso ponto de vista, a autoria deste texto é também de todos os que, muitas vezes anonimamente, editaram online os textos e as imagens sobre livros, leituras e bibliotecas aqui referidos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

No país dos adolescentes a ler: CNL 2012

Ao longo de seis anos, o Concurso Nacional de Leitura (CNL) transformou-se no maior evento de promoção da leitura dirigido aos adolescentes portugueses: milhares de jovens entre os 13 aos 17 anos, oriundos de cerca de 700 escolas do 3º. ciclo e do secundário, propõem-se ler dois livros indicados pelos seus professores. Deste universo de jovens cujos números não se se encontram ainda estimados com precisão, foram este ano apurados cerca de 2300 jovens que decidiram ler outros dois livros mais, desta feita selecionados por 18 Bibliotecas Públicas Municipais, uma por cada distrito.

O CNL em Ílhavo pelo distrito de Aveiro: fotografia de grupo.
É a estas 18 Bibliotecas que compete organizar a prova distrital: um evento em que centenas de jovens de um distrito se conhecem pela primeira vez, conjuntamente com muitos professores e bibliotecários que aí também se (re)encontram, e que, a propósito destas leituras comuns, convivem durante toda uma tarde. 
As provas distritais do CNL são uma grande festa de adolescentes leitores. Para tal, contam com o apoio de mais de duas centenas de técnicos de biblioteca e de professores, e a colaboração generosa de mais de meia centena de personalidades, entre escritores, ensaístas, músicos, políticos, jornalistas e apresentadores de televisão e de rádio que aceitam constituir os diferentes júris distritais e, deste modo, oferecem a sua imagem pública à promoção da leitura…
Ao longo deste dia de festa, o concelho anfitrião oferece a todos uma prestação artística: um bailado, uma peça de teatro ou de música, um momento de humor, na sua maioria protagonizados por jovens do concelho, e  ainda  um lanche que reúne todos em torno de uma grande mesa onde as conversas giram sempre em torno de livros e de leituras... A RTP1 apoia também generosamente este evento, divulgando as 18 provas distritais para todo o país através de reportagens realizadas no local. Depois de realizarem uma prova de conhecimento dos conteúdos lidos, os melhores passam a uma prestação oral, em palco, onde lhes é pedido que, perante todo o público reunido num anfiteatro, realizem as provas necessárias ao apuramento dos vencedores, que irão representar o distrito na final nacional!

Foto, como a anterior, da autoria da Biblioteca Municipal de Ílhavo.
 Como nos dizia um adolescente na semana passada: «Com os livros conhecemos outros lugares e outras pessoas, uns imaginários e outros reais: se não fosse o CNL, não teria vindo aqui nem teria conhecido tantas pessoas diferentes!»
Para se realizar, esta iniciativa do Plano Nacional de Leitura conta com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares (Ministério da Educação), da Direção Geral do Livro e das Bibliotecas (Secretaria de Estado da Cultura) e da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sempre!

«25 de Abril», cartaz de Vieira da Silva
                          25 de abril                                                                        

                      Esta é a madrugada que eu esperava
                      O dia inicial inteiro e limpo
                      Onde emergimos da noite e do silêncio
                      E livres habitamos a substância do tempo 
 
                                                                            Sophia de Mello Breyner Andresen