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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bibliotecas Municipais: públicos e parcerias

A Biblioteca Pública enquanto lugar extraordinário é como a «Utopia» dita por Eduardo Galeano: à distância da linha do horizonte, é inalcansável, mas guia o nosso caminho e dá-nos força para continuar. As Bibliotecas Públicas portuguesas são por vezes (algumas vezes muitas vezes já), esse lugar extraordinário. É evidente que muitas não o são, e as que o são não o podem ser em permanência: se por hipótese teórica vivêssemos em constante estado de graça como o poderíamos reconhecer?

Devemos pois admitir que, muito embora as nossas Bibliotecas Públicas sejam recentes, menores de 20 anos de idade, é verdade que muitos de nós já aí vivemos alguns desses extraordinários momentos. Que, por vezes nos apanharam até completamente de surpresa: sem disso estarmos à espera, encontrámo-nos em estado de alegria e graça.


A primeira grande conquista das Bibliotecas Públicas portuguesas foi o público infantil e não é por acaso que a «Hora do Conto» é a atividade mais consistentemente praticada e generalizada em todas elas. Com as crianças vieram alguns adultos (pais, tios, avós...), mas sobretudo as escolas e, logo depois, o apoio técnico às Bibliotecas Escolares, os catálogos coletivos concelhios e a noção de património bibliográfico concelhio, o cartão de leitor concelhio. Vieram também os mais velhos a quem ensinamos as novas tecnologias e que nos ensinaram a nossa história coletiva a partir das suas histórias de vida e das suas memórias, as quais, por seu turno, nos permitem agora ampliar o fundo local de cada biblioteca: cf. Vidas e memórias de uma comunidade (Vila Velha Ródão) e Memórias de Figueiró (dos Vinhos). Como com as crianças, a Biblioteca foi também ao encontro dos mais velhos: saiu fora de portas e foi a escolas, jardins de infância, centros de dia e lares de idosos.


Assim sendo, uma das grandes dificuldades com que presentemente nos debatemos é, como afirma a bibliotecária de Arganil, Margarida Fróis, a de chamar à Biblioteca aqueles não nos vêm visitar de... autocarro! A saber: os jovens e os adultos, sem os quais Biblioteca Municipal não pode considerar-se devidamente implantada na sua comunidade. Neste sentido, várias são as opções em aberto. Do estudo e da promoção de parcerias com o Instituto de Emprego e de Formação Profissional, bem como com instituições do ensino superior para o desenvolvimento do ensino a distância e da formação ao longo da vida, até ao fomento de parecerias com o tecido empresarial autárquico com vista ao aprofundamento e à diversificação de saberes e de técnicas locais muitas vezes em vias de extinção.

Para os jovens é importante mergulharmos no respetivo universo e mais além..., propondo-lhes desafios e causas por que lutar: das tecnologias ao voluntariado, do consumo sustentável à cidadania e ao empreendedorismo: da divulgação de iniciativas nacionais e internacionais como o programa Escolhas, ou o «Do Something português» ou o «Impulso jovem», mas também do incentivo e do apoio a concursos e projetos dos mais domésticos como o Bibliofilmes (realização de vídeos) aos mais internacionais como o Iniciativas dos jovens (trabalho, estudo, voluntariado e intercâmbio na UE). Informar (e informarmo-nos) sobre o que fazer bem no mundo que nos rodeia passa pela divulgação de sítios com o IM (Ideias que me movem) - Magazine cujo lema é O melhor que se faz no mundo para um mundo melhor, ou o Actua contra a crise  ou o Green Savers ou o Sustentator.


Para tal, todos acordamos que o primeiro passo é conhecer bem a nossa comunidade e estabelecer elos com as pessoas e as organizações que nela são mais influentes. A ligação entre a Biblioteca de Vila Velha de Ródão tanto com a Fundação EDP, como com o filho do respetivo patrono, o apresentador, realizador e produtor, José Nuno Martins, disso constituem exemplo. Envolver pequenos empresários, intelectuais e especialistas diversos está na base do extraordinário projeto «Padrinhos da Leitura», concebido pela Biblioteca de Moura e adaptado pela Biblioteca de Portimão, e constituem outros excelentes exemplos a replicar! A este propósito recomendamos a leitura da revista brasileira Responsabilidade Social que reúne argumentos, propostas e exemplos deste novo tipo de obrigação social, nomeadamente no que respeita ao investimento social privado.
Cada vez mais unanimemente considerado muitíssimo importante, o papel das Bibliotecas Públicas portuguesas no desenvolvimento socio-económico das respectivas comunidades, hoje ainda incipiente, passa não apenas pelo apoio à formação que oferece ou propõe, como pelo auxílio na procura de emprego e pela cooperação e apoio às pequenas e médias empresas. Os melhores exemplos deste tipo de projetos conjuntos continuam ainda a ser estrangeiros, mas pela respetiva consistência vale bem o esforço de os estudar:

Urban Libraries Council − organização americana que, desde 1971, promove as Bibliotecas Públicas enquanto parte essencial da vida e do tecido urbanos, bem como o modo como as Bibliotecas Públicas podem contribuir para a dimensão humana do desenvolvimento económico. 

NI –Libraries: North Ireland Libraries − conjunto de serviços prestados pela Rede de Bibliotecas da Irlanda do Norte na área das empresa e negócios: iniciar ou desenvolver um negócio, formação profissional, lucros e investimentos, nichos de mercado, patentes, informação sobre direitos de autor…


Business Information Services − páginas da Lancaster Libraries sobre os serviços de apoio ao desenvolvimento de empresas locais oferecidos pelas Bibliotecas Públicas de Lancaster, Pensilvânia (EUA). 


South Ayrshire Council: comunity services − conjunto de serviços de apoio às pequenas e médias empresas oferecidos pelas bibliotecas públicas desta região da Escócia: agricultura, floresta, pescas, transformação, serviços e turismo.

 
O trabalho conjunto entre as instituições culturais públicas do concelho (o museu, o arquivo, o cineteatro...), que à partida parecia uma evidência, revelou-se um outro passo difícil de concretizar, não sendo deste modo possível acionar e potenciar todo um conjunto de recursos humanos, técnicos e financeiros em prol da história e da cultura do município.

Também a colaboração com associações, organizações e mesmo empresas de natureza cultural e recreativa municipais não parece ter sido ainda devidamente explorada e neste campo há ainda todo um trabalho por fazer. Contudo, convém lembrar que a cooperação e o estabelecimento de parcerias entre museus e bibliotecas (e arquivos) têm, no estrangeiro, vindo a revelar modelos eficientes e estimulantes para complementar e diversificar recursos, meios, ideias, projectos... De entre os exemplos mais (re)conhecidos dois são também anglófonos: 


o Institute of Museum and Library Services (IMLS) − instituto americano cuja missão visa promover bibliotecas e museus que desenvolvam a união de pessoas, informação e ideias. De âmbito nacional, o IMLS trabalha em coordenação com organizações do poder central e local para apoiar o conhecimento, a cultura e a herança cultural, a aprendizagem, a inovação e o desenvolvimento profissional; 


e o MLA: Museums, Libraries and Archives Council − organização governamental inglesa que oferece aconselhamento, apoio e recursos para incentivar a inovação na área dos museus, bibliotecas e arquivos. A missão do MLA visa desenvolver competências profissionais e promover serviços de excelência para utilizadores e leitores de todas as idades e origens sociais, sejam visitantes ou residentes no Reino Unido.


Por último, os estudiosos e especialistas e homens de negócios em cultura e indústrias culturais apontam para o investimento no triângulo: «cultura - ambiente - turismo» como uma das bases sobre a qual deveria assentar uma das principais apostas de desenvolvimento do nosso país. Neste pressuposto, poderia caber à Biblioteca Pública, lugar por excelência de difusão de informação e de cultura a todo o tipo de públicos, o papel agregador destes dois tipos de património e dos correspondentes estudo e reflexão crítica, por forma a transmutá-los e a modernizá-los ao serviço de um turismo sustentável.

Neste âmbito, sugerimos a leitura de As inter-relações turismo, meio ambiente e cultura de Eliane Pires, Bragança: Instituto Politécnico, 2004, e o estudo O sector cultural e criativo em Portugal, Lisboa: Augusto Mateus & Associados, 2010.


Sobretudo nos municípios mais pequenos e nos do interior do nosso país, a aposta nesta fórmula de desenvolvimento sustentável parece começar agora a delinear-se e a tomar forma, nomeadamenrte no âmbito das Comunidades Intermunicipais em geral, e através da cooperação entre bibliotecas em particular. Mas começámos apenas. O caminho traçado está quase todo por percorrer.


Mapa de Portugal por CIM.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

1ª. Maratona de Leitura «24 horas a ler» na Biblioteca Pública Municipal da Sertã

A primeira Maratona de Leitura 24 horas consecutivas a LER decorreu das 10h00 de sábado, dia 14, às 10h00 de domingo, dia 15 de Julho, na Biblioteca Municipal Pe. Manuel Antunes, na Sertã. 

O Senhor Presidente inaugurou a Maratona que teve início no terraço da Biblioteca.

Muitos dos primeiros contos da manhã foram canções...

e as crianças foram as grandes protagonistas.

As pinturas faciais deram o tom festivo...

e muitos livros para os mais novos saíram das estantes.

Os escuteiros tomaram a seu cargo uma hora de histórias.

O microfone ajudou os leitores mais pequenos...

e permitiu que as leituras fossem ouvidas por muitos dentro e fora da Biblioteca.

Quando a noite caiu, acenderam-se as lanternas...

e as velas que toda a noite anunciaram a leitura na Biblioteca.


Os adultos


e os mais velhos foram chegando...

e o frio da noite também!



Viemos então para dentro e a Clara preparou chocolate quente e bolinhos para todos!

Alguns não resistiram ao sono,
   
mas um grupo de incondicionais encheu a noite de histórias de mistério..
  
de terror e de medos...

Nas primeiras horas do novo dia, ouvimos histórias de encantar e poemas.

Às oito horas o senhor Padre deu início à leitura de histórias da Bíblia...

que os últimos maratonianos continuaram.

Quando chegaram as 10h00 da manhã...

o Coro Sertanense encerrou a Maratona da Leitura, encantando-nos a todos!

Diversos foram os testemunhos deixados na entrada da Biblioteca...

...sobre uma noite extraordinária que envolveu várias centenas de pessoas de todas as idades, muitos dos quais ali se (re)conheceram pela primeira vez.

Juntos vivemos um projecto único no nosso país e experimentámos a alegria de nos encontrarmos com e nos livros e nas leituras. Queremos repetir e recomendamos vivamente que experimentem fazê-lo connosco. 

Até para o ano!



quarta-feira, 13 de junho de 2012

V Tábua de Leituras: numa Biblioteca feita de sorrisos

Biblioteca Municipal João Brandão
Teve lugar na semana passada a 5ª. edição da Tábua de Leituras, um Encontro anual onde de há cinco anos a esta parte se reúnem diversos especialistas em leitura, literatura, livros e bibliotecas. Como em outros encontros similares, esta iniciativa é dirigida a adultos, crianças e jovens do concelho, muito embora seja aberta à participação de técnicos de concelhos próximos. Do mesmo modo que em outros encontros, a reflexão e o debate teóricos seguem de par com oficinas que oferecem formação variada, trocam-se ideias, discutem-se projectos e vivem-se momentos de pura fruição da literária, muita poesia e contos...

Programa
Aquilo que torna as Tábuas de Leitura um encontro diferente de outros é o facto de ser também uma mostra do trabalho anual realizado por uma equipa extraordinária!! Constituída por cerca de 12 técnicos de biblioteca e de outros tantos voluntários que se afirmam, sorridentemente, todos muito felizes com o seu trabalho, este grupo congrega diferentes especializações: um informático, uma designer, uma actriz, uma técnica de promoção de saúde, uma animadora cultural... E, se é verdade que todos eles foram com certeza escolhidos pelo seu dinamismo e espírito de iniciativa, todos eles foram também incentivados a apostarem nas respectivas áreas de especialização e a todos foi oferecida formação complementar sobre promoção da leitura.

Sorrisos de parte da equipa e amigos
Como não existe uma excelente equipa sem um excelente líder, é a Ana Paula Neves que se deve a responsabilidade por todo o trabalho de concepção e consolidação deste projecto. Com um profundo conhecimento da sua comunidade, uma inequívoca vocação para a leitura pública e uma vontade de ir sempre mais longe, Ana Paula Neves conduz este processo há cerca de quinze anos, antes mesmo de a Biblioteca existir. 

Ana Paula Neves

Assim se compreende que a Biblioteca venha conquistando a adesão da comunidade e o reconhecimento público de todos os que a conhecem, tendo inclusivamente sido distinguida, em 2010, com um apoio financeiro da Fundação Gulbenkian, no valor de 30 000 €, para um projecto bienal de promoção da leitura. Ao assentar numa verdadeira partilha de conhecimentos, competências e ideias, o trabalho da Biblioteca viu alargarem-se as fronteiras da intervenção na comunidade, muito para além das suas centenárias paredes de granito...

Luísa Ducla Soares, a autora de eleição da V Tábua de Leituras
Luísa Ducla Soares, a autora convidada deste ano, dizia-nos: Nunca estive numa biblioteca onde todos me dissessem: aqui somos muito felizes... O que, não podemos deixar de sublinhar, é em si mesma uma afirmação extraordinária! Surpreendida e encantada com uma exposição lindíssima, original e sensível sobre a sua obra (da autoria da designer Fátima Pais cujo trabalho convido todas as Bibliotecas a conhecer com carácter de urgência), Luísa Ducla Soares foi presenteada com dezenas de minúsculos livros de cordel sobre os seus livros, da autoria de parte das crianças que visitaram esta exposição.

121 títulos publicados, muito mais do que um por quase todas as letras do alfabeto.
Montagem dos livros de cordel, exemplares únicos oferecidos à autora.

O vampiro (o próprio!) que só gostava de groselha, uma das histórias mais actuais de Luísa Ducla Soares.
Todos os presentes com quem falámos foram unânimes em salientar o cuidado colocado nos mais pequenos pormenores da organização das Tábuas de Leitura, na hospitalidade e no carinho com que todos são recebidos, nas aprendizagens aí realizadas, na troca de informação e de ideias, no incentivo à dinamização de outros projectos, na vontade manifesta de voltar para o ano... outra vez.

Obrigada, Biblioteca Municipal João Brandão!
PS: Mais fotografias deste Encontro aqui!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

No país dos adolescentes a ler: CNL 2012

Ao longo de seis anos, o Concurso Nacional de Leitura (CNL) transformou-se no maior evento de promoção da leitura dirigido aos adolescentes portugueses: milhares de jovens entre os 13 aos 17 anos, oriundos de cerca de 700 escolas do 3º. ciclo e do secundário, propõem-se ler dois livros indicados pelos seus professores. Deste universo de jovens cujos números não se se encontram ainda estimados com precisão, foram este ano apurados cerca de 2300 jovens que decidiram ler outros dois livros mais, desta feita selecionados por 18 Bibliotecas Públicas Municipais, uma por cada distrito.

O CNL em Ílhavo pelo distrito de Aveiro: fotografia de grupo.
É a estas 18 Bibliotecas que compete organizar a prova distrital: um evento em que centenas de jovens de um distrito se conhecem pela primeira vez, conjuntamente com muitos professores e bibliotecários que aí também se (re)encontram, e que, a propósito destas leituras comuns, convivem durante toda uma tarde. 
As provas distritais do CNL são uma grande festa de adolescentes leitores. Para tal, contam com o apoio de mais de duas centenas de técnicos de biblioteca e de professores, e a colaboração generosa de mais de meia centena de personalidades, entre escritores, ensaístas, músicos, políticos, jornalistas e apresentadores de televisão e de rádio que aceitam constituir os diferentes júris distritais e, deste modo, oferecem a sua imagem pública à promoção da leitura…
Ao longo deste dia de festa, o concelho anfitrião oferece a todos uma prestação artística: um bailado, uma peça de teatro ou de música, um momento de humor, na sua maioria protagonizados por jovens do concelho, e  ainda  um lanche que reúne todos em torno de uma grande mesa onde as conversas giram sempre em torno de livros e de leituras... A RTP1 apoia também generosamente este evento, divulgando as 18 provas distritais para todo o país através de reportagens realizadas no local. Depois de realizarem uma prova de conhecimento dos conteúdos lidos, os melhores passam a uma prestação oral, em palco, onde lhes é pedido que, perante todo o público reunido num anfiteatro, realizem as provas necessárias ao apuramento dos vencedores, que irão representar o distrito na final nacional!

Foto, como a anterior, da autoria da Biblioteca Municipal de Ílhavo.
 Como nos dizia um adolescente na semana passada: «Com os livros conhecemos outros lugares e outras pessoas, uns imaginários e outros reais: se não fosse o CNL, não teria vindo aqui nem teria conhecido tantas pessoas diferentes!»
Para se realizar, esta iniciativa do Plano Nacional de Leitura conta com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares (Ministério da Educação), da Direção Geral do Livro e das Bibliotecas (Secretaria de Estado da Cultura) e da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Bom ano!

Um ano de 2012 a ler criativamente o mundo
num equilíbrio instável, mas harmonioso!

Ilustração de Yara Kono,
Prémio Nacional de Ilustração 2010

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ainda o Facebook: uma relação amor-ódio?

Love Facebook
Hate Facebook

De entre as diversas ferramentas da Web 2.0, poucas haverá que suscitem uma relação de amor de amor-ódio tão intensa e extremada quanto o Facebook: dos amantes incondicionais e dos fãs que não conseguem passar um dia sem aceder várias vezes a esta rede social, aos que nela vêem a versão electrónica de Big Brother is watshing you e a encaram como instrumento da conspiração mundial que, a partir do rastreio dos pensamentos e acções de todos e de cada um de nós, pretende dominar a humanidade ! 

Ao construirmos uma rede social de amigos e de conhecidos e menos conhecidos, com quem contactamos regularmente é evidente que, se é verdade que beneficiamos desse «apoio», revelamos também muito de nós. Muito mais do que o que revelamos sempre que efectuamos uma compra com o cartão de débito ou de crédito, por exemplo. Contudo, se nos mantivermos fiéis ao princípio de que tudo o que comunicamos através da Internet pode ser sempre recuperado por outrem e que nunca podemos saber o que com esses conteúdos alguém poderá vir a fazer, podemos usar estas ferramentas para alcançar diversos objectivos. 

O Facebook é uma excelente forma de divulgar ideias, actividades, eventos... Não é por acaso que as marcas mais importantes alimentam páginas no Facebook, como também o fazem instituições tão credíveis e sérias como a Presidência da República, a Biblioteca Nacional de Portugal, as Organizações Não Governamentais e de Solidariedade Social, os grandes jornais e a própria Igreja está a considerar esta hipótese!

Porque o Facebook é uma aplicação essencialmente concebida para isso mesmo ou, como dizem os americanos, for spreading the news: tudo o que é publicado nesta plataforma dispara automaticamente emails para todos os «amigos» e fãs do editor em causa. Nesta medida, o Facebook é também presentemente utilizado como uma eficaz ferramenta na publicitação da informação que se pretende divulgar e, enquanto tal, é agregado a outros meios de informação mais consistente e fidedigna como o tipo de sítios e blogues acima mencionados.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Steve Jobs: a song of lost and love... and one more thing!

Dizer que não há ninguém insubstituível não passa de um lugar comum, de uma frase feita, da qual nos socorremos para evitar a angústia da solidão que nos assalta perante a fragilidade que nos define enquanto seres humanos.

Claro que sim, claro que há pessoas insubstituíveis e únicas no seu tempo e na sua visão do mundo, que traçaram caminhos antes inexistentes e que alargaram as fronteiras da nossa humanidade. Steve Jobs era evidentemente um deles.

Steve Jobs 1955 - 2011
No discurso que fez na Universidade de Stanford, em 2005, para centenas de jovens licenciados, Steve Jobs contou a sua vida em três histórias e em cada uma delas salientou uma atitude perante a vida, reflexo do seu incondicional amor à vida.

1) Seguir a curiosidade, a intuição e a independência, seguir o coração e a a nossa voz interior (our inner voice) vai mais tarde permitir-nos perceber como as nossas opções fazem depois sentido, connecting the dots;

2) Não perder a fé, nem o amor e a paixão pelo que se faz e continuar keep(ing) looking and dont seattle;

3) Entender que a morte é muito provavelmente a melhor invenção da vida porque nos confirma que a não devemos desperdiçar: se nos interrogarmos todos os dias sobre se será que eu quero fazer o que vou fazer hoje... confirmaremos se temos ou não de mudar a nossa vida. Porque, quando a morte deixa de ser para nós um conceito intelectual, podemos por fim perceber o valor de adoptar como lema (do grego, o que é recebido como um presente) de vida, o que Steve Jobs ali nos propõe: stay hungry, stay foolish!



(a partir de Apple e Hipojoy)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

13 anos de Google: parabéns a... nós?

Para os milhões de fãs do Google, esta empresa é uma das maiores invenções da humanidade: «Eu uso o Google como bebo água,ou seja, diariamente e frequentemente», afirma o utilizador Kayio na página de Perguntas do Yahoo Brasil.

E passa a enumerar: a pesquisa (ocupando 90% deste mercado mundial)... as últimas notícias...os trabalhos da escola... a tradução... o Email (Gmail)... as imagens... o download de música... os blogues (Blogger ou Blogspot), o Orkut, a maior rede social do Brasil, que pertence à Google, o Youtube que também é propriedade da Google.


Doodle comemorativo do 13º. aniversário do Google


(27 de Setembro de 2011)

E Kayio não menciona, entre outras ferramentas e serviços, o Google Maps... e o Google Earth..., o Google Books..., o iGoogle, uma página personalizada de ferramentas...o Picasa para as fotos online... o Google sites...o Google+, a mais jovem rede social que em três meses de vida reuniu já 50 milhões de utilizadores..., o sistema Android para smart phones e tablets, o serviço Wallet para gestão do mercado em acelerado crescimento de cupões de desconto...

O Google é hoje uma das empresas mais poderosas do mundo. Segundo a Wikipédia, o Google é executado através de mais de um milhão de servidores em data centers em todo o mundo[15] e processa mais de mil milhões de solicitações de pesquisa[16] e vinte petabytes de dados gerados por utilizadores todos os dias [17][18][19]. A empresa é também considerada uma das mais aliciantes em termos de qualidade de condições de trabalho e a filosofia da empresa apela simultaneamente à exigência e à informalidade.

Defensora da neutralidade da Internet,o Guia da neutralidade da rede do Google equipara-a à igualdade de acesso à Internet, um princípio considerado inquestionável pelos fundadores da Web. Por outro lado, a Google investe na redução da respectiva pegada de carbono e através da Google.org defende a mudança climática, promove a saúde pública mundial, a luta contra a pobreza global e ainda projectos de apoio à comunidade.

A melhor empresa do mundo, num mundo que não é o melhor dos mundos? Não seria bom de mais para ser verdade?

Com tudo o que nos oferece de excelente, as principais críticas à Google são graves! A mais conhecida é a da não garantia da privacidade dos utilizadores, mas a censura a diversos sítios em determinados países e regiões, como na China, e a não divulgação dos respectivos apoios políticos, tendo em conta a sua imensa influência nas políticas públicas locais e internacionais, são igualmente inaceitáveis.


O 1º. doodle  do Google (30 de Agosto de 1998)


De uma simples brincadeira à imagem de marca do humor do Google.

sábado, 17 de setembro de 2011

Facebook versus Linkedin: a guerra começou?

Via http://www.captivationmedia.com/main/2011/07/05/facebook-ads-vs-linkedin-ads/

Segundo Sharon Machlis no seu artigo «Facebook vs. Twitter vs. LinkedIn vs. Google+» publicado em Julho de 2011 no sítio  Computerworld, o Facebook, com os seus 750 milhões de utilizadores é a melhor rede social online para empresas e marcas e para estabelecer relações pessoais desde que se cinjam apenas a pessoas que se conheçam pessoalmente.

Para tal concorrem a facilidade de promoção de uma marca ou de uma empresa, a facilidade de adesão à plataforma e de obtenção de estatísticas, para além da mais recente possibilidade de gravar a informação de páginas por parte de cada utilizador. O Facebook é pois a plataforma ideal para encontrar velhos amigos e para reunir fãs de uma marca. Em contrapartida, o Facebook não oferece suficientes garantias da privacidade aos seus utilizadores, não permitindo uma fácil gestão das listas de amigos, nem a possibilidade de ver o fluxo de a informação de cada uma dessas listas, que não são aliás nem fáceis de encontrar, nem de editar.

Via http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/tag/twitter/
A maioria das pessoas vê o Linkedin mais como um banco de dados de profissionais do que uma rede social de profissionais: um lugar onde ter uma presença é fundamental, mas confinado à oferta e à procura de emprego e à optimização de uma carreira profissional, No entanto, ao longo do tempo o Linkedin tem vindo a tornar-se um tesouro de inteligência competitiva, bem como um referencial cada vez mais importante do tráfego Web.

Na verdade, a força desta rede social advém do facto de ser a única a reunir informação fidedigna: sobre profissionais individuais, sobre oportunidades de carreira profissional e sobre empresas e organizações. Para além do mais, o Linkedin procura agora promover também a partilha de conteúdos especializados e aposta na definição círculos de relações seguros.

Segundo Neal Schaffer, no seu artigo de Dezembro de 2010, «LinkedIn vs. Facebook for Business in 2011 – The Battle Begins!», até 2011 o Linkedin e o Facebook pareciam ter muito pouco em comum, a começar pela razão por que foram criados: um como uma rede social fechada e de confiança para profissionais e outro como um livro aberto (de caras) de estudantes universitários. Entretanto, o Linkedin ganhou uma progressiva credibilidade entre os mais diversos profissionais qualificados e o Facebook apostou na cultura de consumo, assumindo-se claramente como um negócio onde  o objectivo é ganhar dinheiro com cada utilizador. O resultado foi que os profissionais aderiram ao Linkedin, enquanto que as empresas e as marcas investiram cada vez mais em marketing no Facebook (bem como no Twiter).

Esta aparente contradição tornou-se evidente quando o Linkedin anunciou as suas páginas para empresas em Novembro de 2010, parecidas com as do Facebook, que ainda são dominantes, mas com um «Recomendada» em vez de um «Gosto» (Like), acrescentando-lhes a possibilidade integrada de se poder «seguir» essa página. Foi assim que a Hewlett-Packard (HP) reuniu mais de 160 000 seguidores no Linkedin contra os 170 000 da sua página no Facebook

Estes números adquirem maior relevância, se tivermos em conta que o Linkedin  conta com 1/5 de membros do Facebook, mas que estes são todos profissionais (altamente) especializados. As novas páginas para empresas do Linkedin permitem também uma maior interacção com os utilizadores que podem agora recomendar produtos e serviços, comentá-los e, como no Facebook, ver na respectiva rede de amigos quem recomenda que página.


Via http://www.careerdigital.com/article/linkedin/tips/
Em contrapartida, o Facebook anunciou novos perfis pessoais que desenvolvem a dimensão profissional de cada utilizador, incluindo projectos e experiência de trabalho para, por sua vez, atrair os profissionais do Linkedin. A diferença é que, enquanto esta é uma rede fechada e de confiança, o Facebook parece não ser considerado útil pelos profissionais qualificados, o que poderá contudo mudar se o Facebook os conseguir convencer do contrário.

O Linkedin criou ainda os Linkedin (LI) Grupos, que permitem acrescentar facilmente informação de um sítio empresarial ao perfil de cada utilizador ou aos LI Grupos. Desenvolveu também ferramentas que possibilitam gerir com facilidade a moderação da informação nos LI Grupos, o que o Facebook não permite, através do new official LinkedIn Share Button. Por último, o Linkedin anunciou que vai   permitir a opção de tornar públicos os LI Grupos e outros, de modo a alargar a discussão a profissionais e a consumidores-alvo, para além da página da empresa. O próprio espaço de discussão é muito maior do que as pequenas «caixas» de texto do Facebook e os LI Grupos têm a possibilidade, que o Facebook também não tem, de enviar diária ou semanalmente resumos de informação actualizada, o que aumenta a adesão aos LI Grupos.

É conhecida desproporção entre estas duas redes sociais e é verdade que o maior grupo do Linkedin, o de recursos humanos (HR), apenas reúne cerca de 345.000 membros, enquanto que a maior página do Facebook, a própria, tem mais de 30.000.000 fãs. Contudo, existem mais de 800.000 LinkedIn Groups contra cerca de 320.000 páginas de empresas do Facebook.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As novas redes sociais: «the dark side of the Force?»

Segundo o artigo sobre «Redes sociais» (que na realidade se refere apenas às redes sociais online) do sítio How stuff works?, existem (no mundo de língua inglesa?) mais de 300 destes sítios, abrangendo os mais diferentes universos. O mundo da moda, por exemplo, oferece plataformas independentes, como o Share Your Look ou o Style Hive ou nichos de um sítio maior de uma rede social, como o MySpace Fashion, ou o sítio Sneakerplay, a maior rede social online de amantes de … sapatos de ténis.

Existem redes sociais de tecnologias de informação (IT) como o Toolbox e diversas variantes de redes sociais, sítios de larga adesão como o Slashdot, de notícias sobre tecnologia, e o Digg, um dos sítios sociais mais populares de marcação de páginas. De acordo com este artigo, os médicos partilham uma rede social designada por Sermo e os executivos de publicidade, marketing e media, a rede social profissional AdGabber… e assim por diante.

www.oportaldovale.com.br_noticias__wp-content_uploads_2011_07_redes-sociais
As redes sociais mais conhecidas e vividas são, contudo, relativamente bem conhecidas da grande maioria : o My space, o Facebook e o Linkedin.

Para pertencer a uma destas redes, quase todas as plataformas solicitam um nome para login e uma senha de acesso, para além do preenchimento de uma página com um perfil pessoal que não precisa de preencher na íntegra: uma foto, algumas informações pessoais básicas (nome, idade, sexo, local onde vive) e um espaço para que a pessoa edite informação particular: interesses, livros, música, filmes, hobbies, sítios preferidos. É a partir daqui que cada um começa a construir a sua rede social, o que aliás as diferentes plataformas promovem e incentivam de múltiplas maneiras.

O principal problema das redes sociais online reside na respectiva (in)confidencialidade: não possuindo um sistema integrado de autenticação para verificar se alguém é realmente quem diz ser, segundo o sítio SearchSecurity.com, a segurança da maioria das redes sociais online reside na premissa de que somente os «amigos» ou os membros da rede de cada utilizador podem aceder o seu perfil completo.


Via http://0001coisas.blogspot.com/2008/08/redes-sociais-esto-na-mira-dos-hackers.html (adapt.)
Este pressuposto só é contudo eficaz na medida em que cada utilizador for extremamente selectivo em relação a quem inclui na sua rede. A partir do momento em que aceitar convites de alguém que não conheça, esse único alguém poderá ser um potencial hacker e vir a roubar a sua informação pessoal e a utilizá-la em proveito próprio para os mais inimagináveis fins. Para além desta eventual ameaça, talvez seja também bom conhecer algumas formas de restringir parte da informação que edita: a Proteste, por exemplo, dá-nos várias indicações úteis.