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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bibliotecas Municipais: públicos e parcerias

A Biblioteca Pública enquanto lugar extraordinário é como a «Utopia» dita por Eduardo Galeano: à distância da linha do horizonte, é inalcansável, mas guia o nosso caminho e dá-nos força para continuar. As Bibliotecas Públicas portuguesas são por vezes (algumas vezes muitas vezes já), esse lugar extraordinário. É evidente que muitas não o são, e as que o são não o podem ser em permanência: se por hipótese teórica vivêssemos em constante estado de graça como o poderíamos reconhecer?

Devemos pois admitir que, muito embora as nossas Bibliotecas Públicas sejam recentes, menores de 20 anos de idade, é verdade que muitos de nós já aí vivemos alguns desses extraordinários momentos. Que, por vezes nos apanharam até completamente de surpresa: sem disso estarmos à espera, encontrámo-nos em estado de alegria e graça.


A primeira grande conquista das Bibliotecas Públicas portuguesas foi o público infantil e não é por acaso que a «Hora do Conto» é a atividade mais consistentemente praticada e generalizada em todas elas. Com as crianças vieram alguns adultos (pais, tios, avós...), mas sobretudo as escolas e, logo depois, o apoio técnico às Bibliotecas Escolares, os catálogos coletivos concelhios e a noção de património bibliográfico concelhio, o cartão de leitor concelhio. Vieram também os mais velhos a quem ensinamos as novas tecnologias e que nos ensinaram a nossa história coletiva a partir das suas histórias de vida e das suas memórias, as quais, por seu turno, nos permitem agora ampliar o fundo local de cada biblioteca: cf. Vidas e memórias de uma comunidade (Vila Velha Ródão) e Memórias de Figueiró (dos Vinhos). Como com as crianças, a Biblioteca foi também ao encontro dos mais velhos: saiu fora de portas e foi a escolas, jardins de infância, centros de dia e lares de idosos.


Assim sendo, uma das grandes dificuldades com que presentemente nos debatemos é, como afirma a bibliotecária de Arganil, Margarida Fróis, a de chamar à Biblioteca aqueles não nos vêm visitar de... autocarro! A saber: os jovens e os adultos, sem os quais Biblioteca Municipal não pode considerar-se devidamente implantada na sua comunidade. Neste sentido, várias são as opções em aberto. Do estudo e da promoção de parcerias com o Instituto de Emprego e de Formação Profissional, bem como com instituições do ensino superior para o desenvolvimento do ensino a distância e da formação ao longo da vida, até ao fomento de parecerias com o tecido empresarial autárquico com vista ao aprofundamento e à diversificação de saberes e de técnicas locais muitas vezes em vias de extinção.

Para os jovens é importante mergulharmos no respetivo universo e mais além..., propondo-lhes desafios e causas por que lutar: das tecnologias ao voluntariado, do consumo sustentável à cidadania e ao empreendedorismo: da divulgação de iniciativas nacionais e internacionais como o programa Escolhas, ou o «Do Something português» ou o «Impulso jovem», mas também do incentivo e do apoio a concursos e projetos dos mais domésticos como o Bibliofilmes (realização de vídeos) aos mais internacionais como o Iniciativas dos jovens (trabalho, estudo, voluntariado e intercâmbio na UE). Informar (e informarmo-nos) sobre o que fazer bem no mundo que nos rodeia passa pela divulgação de sítios com o IM (Ideias que me movem) - Magazine cujo lema é O melhor que se faz no mundo para um mundo melhor, ou o Actua contra a crise  ou o Green Savers ou o Sustentator.


Para tal, todos acordamos que o primeiro passo é conhecer bem a nossa comunidade e estabelecer elos com as pessoas e as organizações que nela são mais influentes. A ligação entre a Biblioteca de Vila Velha de Ródão tanto com a Fundação EDP, como com o filho do respetivo patrono, o apresentador, realizador e produtor, José Nuno Martins, disso constituem exemplo. Envolver pequenos empresários, intelectuais e especialistas diversos está na base do extraordinário projeto «Padrinhos da Leitura», concebido pela Biblioteca de Moura e adaptado pela Biblioteca de Portimão, e constituem outros excelentes exemplos a replicar! A este propósito recomendamos a leitura da revista brasileira Responsabilidade Social que reúne argumentos, propostas e exemplos deste novo tipo de obrigação social, nomeadamente no que respeita ao investimento social privado.
Cada vez mais unanimemente considerado muitíssimo importante, o papel das Bibliotecas Públicas portuguesas no desenvolvimento socio-económico das respectivas comunidades, hoje ainda incipiente, passa não apenas pelo apoio à formação que oferece ou propõe, como pelo auxílio na procura de emprego e pela cooperação e apoio às pequenas e médias empresas. Os melhores exemplos deste tipo de projetos conjuntos continuam ainda a ser estrangeiros, mas pela respetiva consistência vale bem o esforço de os estudar:

Urban Libraries Council − organização americana que, desde 1971, promove as Bibliotecas Públicas enquanto parte essencial da vida e do tecido urbanos, bem como o modo como as Bibliotecas Públicas podem contribuir para a dimensão humana do desenvolvimento económico. 

NI –Libraries: North Ireland Libraries − conjunto de serviços prestados pela Rede de Bibliotecas da Irlanda do Norte na área das empresa e negócios: iniciar ou desenvolver um negócio, formação profissional, lucros e investimentos, nichos de mercado, patentes, informação sobre direitos de autor…


Business Information Services − páginas da Lancaster Libraries sobre os serviços de apoio ao desenvolvimento de empresas locais oferecidos pelas Bibliotecas Públicas de Lancaster, Pensilvânia (EUA). 


South Ayrshire Council: comunity services − conjunto de serviços de apoio às pequenas e médias empresas oferecidos pelas bibliotecas públicas desta região da Escócia: agricultura, floresta, pescas, transformação, serviços e turismo.

 
O trabalho conjunto entre as instituições culturais públicas do concelho (o museu, o arquivo, o cineteatro...), que à partida parecia uma evidência, revelou-se um outro passo difícil de concretizar, não sendo deste modo possível acionar e potenciar todo um conjunto de recursos humanos, técnicos e financeiros em prol da história e da cultura do município.

Também a colaboração com associações, organizações e mesmo empresas de natureza cultural e recreativa municipais não parece ter sido ainda devidamente explorada e neste campo há ainda todo um trabalho por fazer. Contudo, convém lembrar que a cooperação e o estabelecimento de parcerias entre museus e bibliotecas (e arquivos) têm, no estrangeiro, vindo a revelar modelos eficientes e estimulantes para complementar e diversificar recursos, meios, ideias, projectos... De entre os exemplos mais (re)conhecidos dois são também anglófonos: 


o Institute of Museum and Library Services (IMLS) − instituto americano cuja missão visa promover bibliotecas e museus que desenvolvam a união de pessoas, informação e ideias. De âmbito nacional, o IMLS trabalha em coordenação com organizações do poder central e local para apoiar o conhecimento, a cultura e a herança cultural, a aprendizagem, a inovação e o desenvolvimento profissional; 


e o MLA: Museums, Libraries and Archives Council − organização governamental inglesa que oferece aconselhamento, apoio e recursos para incentivar a inovação na área dos museus, bibliotecas e arquivos. A missão do MLA visa desenvolver competências profissionais e promover serviços de excelência para utilizadores e leitores de todas as idades e origens sociais, sejam visitantes ou residentes no Reino Unido.


Por último, os estudiosos e especialistas e homens de negócios em cultura e indústrias culturais apontam para o investimento no triângulo: «cultura - ambiente - turismo» como uma das bases sobre a qual deveria assentar uma das principais apostas de desenvolvimento do nosso país. Neste pressuposto, poderia caber à Biblioteca Pública, lugar por excelência de difusão de informação e de cultura a todo o tipo de públicos, o papel agregador destes dois tipos de património e dos correspondentes estudo e reflexão crítica, por forma a transmutá-los e a modernizá-los ao serviço de um turismo sustentável.

Neste âmbito, sugerimos a leitura de As inter-relações turismo, meio ambiente e cultura de Eliane Pires, Bragança: Instituto Politécnico, 2004, e o estudo O sector cultural e criativo em Portugal, Lisboa: Augusto Mateus & Associados, 2010.


Sobretudo nos municípios mais pequenos e nos do interior do nosso país, a aposta nesta fórmula de desenvolvimento sustentável parece começar agora a delinear-se e a tomar forma, nomeadamenrte no âmbito das Comunidades Intermunicipais em geral, e através da cooperação entre bibliotecas em particular. Mas começámos apenas. O caminho traçado está quase todo por percorrer.


Mapa de Portugal por CIM.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

«Abraçar o mundo sem deixar ninguém de fora»: serviços de extensão bibliotecária e cultural das Bibliotecas Públicas portuguesas: as BIBLIOTECAS CAIXA *



Os serviços de extensão bibliotecária e cultural das Bibliotecas Públicas radicam na respectiva vocação universal − oferecer a todos toda a informação disponível − que é simultaneamente a característica identitária e a imagem de marca da Bibliotecas Públicas. Com efeito, mais do que qualquer outro equipamento cultural, a Biblioteca Pública − ao assumir-se como ponto de convergência entre o indivíduo e a comunidade, o passado e o futuro, o conhecimento e o lazer − encontra-se estruturalmente vocacionada para proporcionar a possibilidade de nos conhecermos a nós próprios e ao mundo à nossa volta.
 
ORIGEM

Na segunda metade do século XIX, o regime liberal, ao promover uma nova política para a cultura, começa a publicitar em Portugal a ideia de biblioteca pública: um equipamento cultural cujo objectivo é o de alargar o conhecimento às mais vastas camadas da população e a todo o espaço nacional.

Neste sentido, a tentativa de levar a cabo uma política integrada de bibliotecas vai consubstanciar-se, entre outra documentação, no Decreto de 2 de Agosto em 1870 que propõe a criação de bibliotecas populares, um novo tipo de bibliotecas que reuniriam os conhecimentos elementares e se destinavam às classes mais necessitadas. Este decreto obrigava cada câmara a criar pelo menos uma biblioteca na capital do concelho. As juntas de distrito e as juntas de paróquia eram igualmente autorizadas a organizar bibliotecas populares.

Este documento vem pois consagrar, no nosso país, uma grande mudança: a alteração do paradigma de biblioteca substituindo o das grandes bibliotecas-livrarias conventuais, espaços de introspecção e de cultura dirigidas a comunidades restritas de leitores. Os ideias republicanos incentivam deste modo a criação de grandes bibliotecas públicas do regime, nas capitais de distrito, bem como de bibliotecas populares, mais pequenas , que se pretendiam espaços de instrução e de informação, adstritas a instituições de ensino, profissionais e de classe.

Esta mudança implica, então, também uma mudança do público a que as bibliotecas se destinam: do leitor mais contemplativo e erudito do passado para um novo leitor-utilizador mais activo que necessita de novos conhecimentos que o ajudem a adaptar-se a uma nova realidade social, económica e técnica.

Nasce, assim, em Portugal o conceito de Biblioteca Pública como hoje a conhecemos.

Os serviços de extensão bibliotecária constituem, pois, parte integrante das Bibliotecas Públicas e estão patentes na documentação através da qual a República vai tentar pôr em prática os serviços característicos destas novas bibliotecas que os documentos da época referem explicitamente: para além do livre acesso, do empréstimo domiciliário, das salas infantis…:

      a leitura nos Caminhos de Ferro,
      a leitura nos hospitais,
      a leitura nas prisões e...
      as colecções móveis.

De todos estes serviços, o que se viria a tornar mais popular e duradouro foi o das bibliotecas móveis, designação do início do século XX para as bibliotecas-caixa.

 
BIBLIOTECAS-CAIXA: as grandes protagonistas

Com efeito, a constatação da ausência de bibliotecas populares, em 1914, levou os então Serviços de Inspecção das Bibliotecas Populares e Móveis, da administração central, a iniciar um processo centralizado de organização e «distribuição» de bibliotecas. Segundo Augusto Pereira de Betencourt Ataíde, estas novas bibliotecas móveis inspiravam-se nas pequenas traveling libraries instaladas em carros de rodas que acompanhavam os trabalhadores das florestas, minas e vias férreas da Austrália e do Canadá. Segundo este funcionário dos Serviços de Bibliotecas da República, a versatilidade destas bibliotecas explica por que foram rapidamente adoptadas para difusão da leitura em localidade distantes, sob a forma de caixas e caixotes de todos os tipos, em diferentes países (Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega).

A primeira biblioteca móvel portuguesa é, pois, a CAIXA-ESTANTE, modelo proposto por Augusto Ataíde, adaptado das congéneres alemãs e registado em 1914 pela Inspecção das Bibliotecas e Arquivos. Concebida como uma biblioteca autónoma, dado que integrava estantes, livros, catálogo e sistema de empréstimo, esta biblioteca móvel foi pensada de modo a poder adaptar-se a todos os tipos de transporte, nomeadamente as carroças e o caminho de ferro, «enquanto o automobilismo, revolucionando o serviço da bibliotecas ambulante, as não fizer regressar ao primitivo tipo de instalação em carro, embora notavelmente melhorado». A biblioteca móvel de Tipo A tinha capacidade para 400 livros. A do tipo B, 200.

Biblioteca móvel de tipo A (400 livros)

Em 1922, circulavam no nosso país 22 bibliotecas móveis de tipo B, e em 1926, 19. Não temos conhecimento da existência efectiva das de tipo A.

As bibliotecas móveis portuguesas do início do século XX estão, como todos hoje sabemos, na origem das bibliotecas-caixa dos nossos dias, as quais no seu conjunto não podem deixar de ser consideradas as grandes protagonistas dos serviços de extensão bibliotecária no nosso país. Com efeito, o serviço de extensão bibliotecária mais difundido em Portugal, em geral concebido e coordenado pelas Bibliotecas Públicas, é o das bibliotecas-caixa: colecções de livros periodicamente renovadas e emprestadas colectivamente a escolas, lares, centros de dia, hospitais, prisões, cafés, etc.

Sob inúmeras variantes, como as caixas de madeira, próximas da Biblioteca móvel de tipo B, ou as Bibliomalas de Arouca, com capacidade para cerca de 25 livros, que são distribuídas pela Biblioteca Itinerante e, quando abertas, se transformam em estante.
    
Bibliomalas de Arouca 2007

Sob a forma de baús em verga, como em Águeda:

Biblioteca Municipal de Águeda – 2006

Ou de caixas em plástico, como as da Biblioteca Municipal de Porto de Mós, que as disponibiliza aos Jardins de Infância, Escolas do 1º. Ciclo do Ensino Básico, Lares e Centros de Dia do concelho.

Porto de Mós - 2008


Porto de Mós - 2008
Ou ainda, agora atualizadas, sob a forma de malas de viagem com rodas, como as Bibliomalas com capacidade para 25 livros da Biblioteca e Centro de Recursos da Escola EBI /JI de Montenegro:

Montenegro, Faro - 2007
A partir do final dos anos 90, foram concebidos alguns projectos de bibliotecas móveis destinados a alguns países dos PALOP, como as que o ex-Instituto Português do Livro e das Bibliotecas ofereceu diversas Bibliotecas itinerantes a Timor e a Moçambique, em fabricada em contraplacado marítimo e pronta a funcionar como estante.

Bibliotecas móveis para Timor e Moçambique – DGLB - 1998


Já o projecto das Bibliotecas Móveis de Saúde, uma iniciativa da Ordem dos Enfermeiros e do Conselho Internacional dos Enfermeiros (ICN), optou por malas de viagem também muito resistentes: oferecem informação actualizada e obras de referência nas áreas da Medicina e da Enfermagem, em português, a profissionais de saúde em áreas remotas ou onde o acesso à formação é particularmente difícil. Em 2007, estas Bibliotecas móveis foram enviadas para São Tomé, Moçambique e Angola.



Biblioteca móvel para Cabo Verde – 2008


BIBLIOGRAFIA

ATAÍDE, Augusto Pereira de Bettencourt –  A organização da primeira biblioteca móvel portuguesa. Anais das Bibliotecas e Arquivos de Portugal. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1915, vol. 1 n. 3 p. 89-94: [Em linha]. [Consult. 06-10-2009]. Disponível em WWW: <http://purl.pt/255/2/P36.html>
 

BARATA, Paulo J. S. Os livros e o liberalismo: da livraria conventual à biblioteca pública: uma alteração de paradigma. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2003. ISBN 972-565-368-8


MARÇAL, Nuno O Papalagui: crónicas de um bibliotecário ambulante: [Em linha]. [Consult. 06-10-2009]. Disponível em WWW: <http://opapalagui.blogspot.com/>

NUNES, Henrique Barreto Nunes Da biblioteca ao leitor: estudos sobre a leitura pública em Portugal. Braga: Autores de Braga, 1996

 

MELO, Daniel Leitura e leitores nas bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957-1987): [Em linha]. 2004.[Consult. 06.10.2009]. Disponível em WWW: <http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2004/WP1-2004.pdf>

TRINDADE, Luís. A leitura pública no Portugal contemporâneo (1926-1987). Etnográfica: [Em linha]. Maio 2006, vol.10, no.1, p. 209-211. [Consult. 06-10-2009]. Disponível em WWW: < http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612006000100015&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0873-6561

VILARINHO, Fernando As bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (1958-2002). Bibliotecas em Portugal: [Em linha]. 2006. [Consult. 06/10/2009]. Disponível em WWW: < http://bep-suporte.blogspot.com/2006/12/as-bibliotecas-itinerantes-da-fundao.html>


O presente texto, que data do final de 2009, foi redigido em parceria com a minha colega Catarina Costa Macedo e tem por base uma ampla e diversificada pesquisa da documentação que a Internet nos oferece, a qual, como sabemos, é fruto de inúmeros contributos individuais. Neste sentido, e porque acreditamos que o conhecimento é na sua essência colectivo e partilhado, apenas nos pareceu necessário mencionar, na Bibliografia, as principais referências documentais de que nos socorremos para redigir este texto. Assim, cumpre-nos afirmar que, do nosso ponto de vista, a autoria deste texto é também de todos os que, muitas vezes anonimamente, editaram online os textos e as imagens sobre livros, leituras e bibliotecas aqui referidos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

No país dos adolescentes a ler: CNL 2012

Ao longo de seis anos, o Concurso Nacional de Leitura (CNL) transformou-se no maior evento de promoção da leitura dirigido aos adolescentes portugueses: milhares de jovens entre os 13 aos 17 anos, oriundos de cerca de 700 escolas do 3º. ciclo e do secundário, propõem-se ler dois livros indicados pelos seus professores. Deste universo de jovens cujos números não se se encontram ainda estimados com precisão, foram este ano apurados cerca de 2300 jovens que decidiram ler outros dois livros mais, desta feita selecionados por 18 Bibliotecas Públicas Municipais, uma por cada distrito.

O CNL em Ílhavo pelo distrito de Aveiro: fotografia de grupo.
É a estas 18 Bibliotecas que compete organizar a prova distrital: um evento em que centenas de jovens de um distrito se conhecem pela primeira vez, conjuntamente com muitos professores e bibliotecários que aí também se (re)encontram, e que, a propósito destas leituras comuns, convivem durante toda uma tarde. 
As provas distritais do CNL são uma grande festa de adolescentes leitores. Para tal, contam com o apoio de mais de duas centenas de técnicos de biblioteca e de professores, e a colaboração generosa de mais de meia centena de personalidades, entre escritores, ensaístas, músicos, políticos, jornalistas e apresentadores de televisão e de rádio que aceitam constituir os diferentes júris distritais e, deste modo, oferecem a sua imagem pública à promoção da leitura…
Ao longo deste dia de festa, o concelho anfitrião oferece a todos uma prestação artística: um bailado, uma peça de teatro ou de música, um momento de humor, na sua maioria protagonizados por jovens do concelho, e  ainda  um lanche que reúne todos em torno de uma grande mesa onde as conversas giram sempre em torno de livros e de leituras... A RTP1 apoia também generosamente este evento, divulgando as 18 provas distritais para todo o país através de reportagens realizadas no local. Depois de realizarem uma prova de conhecimento dos conteúdos lidos, os melhores passam a uma prestação oral, em palco, onde lhes é pedido que, perante todo o público reunido num anfiteatro, realizem as provas necessárias ao apuramento dos vencedores, que irão representar o distrito na final nacional!

Foto, como a anterior, da autoria da Biblioteca Municipal de Ílhavo.
 Como nos dizia um adolescente na semana passada: «Com os livros conhecemos outros lugares e outras pessoas, uns imaginários e outros reais: se não fosse o CNL, não teria vindo aqui nem teria conhecido tantas pessoas diferentes!»
Para se realizar, esta iniciativa do Plano Nacional de Leitura conta com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares (Ministério da Educação), da Direção Geral do Livro e das Bibliotecas (Secretaria de Estado da Cultura) e da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

13 anos de Google: parabéns a... nós?

Para os milhões de fãs do Google, esta empresa é uma das maiores invenções da humanidade: «Eu uso o Google como bebo água,ou seja, diariamente e frequentemente», afirma o utilizador Kayio na página de Perguntas do Yahoo Brasil.

E passa a enumerar: a pesquisa (ocupando 90% deste mercado mundial)... as últimas notícias...os trabalhos da escola... a tradução... o Email (Gmail)... as imagens... o download de música... os blogues (Blogger ou Blogspot), o Orkut, a maior rede social do Brasil, que pertence à Google, o Youtube que também é propriedade da Google.


Doodle comemorativo do 13º. aniversário do Google


(27 de Setembro de 2011)

E Kayio não menciona, entre outras ferramentas e serviços, o Google Maps... e o Google Earth..., o Google Books..., o iGoogle, uma página personalizada de ferramentas...o Picasa para as fotos online... o Google sites...o Google+, a mais jovem rede social que em três meses de vida reuniu já 50 milhões de utilizadores..., o sistema Android para smart phones e tablets, o serviço Wallet para gestão do mercado em acelerado crescimento de cupões de desconto...

O Google é hoje uma das empresas mais poderosas do mundo. Segundo a Wikipédia, o Google é executado através de mais de um milhão de servidores em data centers em todo o mundo[15] e processa mais de mil milhões de solicitações de pesquisa[16] e vinte petabytes de dados gerados por utilizadores todos os dias [17][18][19]. A empresa é também considerada uma das mais aliciantes em termos de qualidade de condições de trabalho e a filosofia da empresa apela simultaneamente à exigência e à informalidade.

Defensora da neutralidade da Internet,o Guia da neutralidade da rede do Google equipara-a à igualdade de acesso à Internet, um princípio considerado inquestionável pelos fundadores da Web. Por outro lado, a Google investe na redução da respectiva pegada de carbono e através da Google.org defende a mudança climática, promove a saúde pública mundial, a luta contra a pobreza global e ainda projectos de apoio à comunidade.

A melhor empresa do mundo, num mundo que não é o melhor dos mundos? Não seria bom de mais para ser verdade?

Com tudo o que nos oferece de excelente, as principais críticas à Google são graves! A mais conhecida é a da não garantia da privacidade dos utilizadores, mas a censura a diversos sítios em determinados países e regiões, como na China, e a não divulgação dos respectivos apoios políticos, tendo em conta a sua imensa influência nas políticas públicas locais e internacionais, são igualmente inaceitáveis.


O 1º. doodle  do Google (30 de Agosto de 1998)


De uma simples brincadeira à imagem de marca do humor do Google.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Agosto de 2011: 20 anos de www

Via http://info.abril.com.br
Vale a pena ler a mensagem de boas-vindas publicada no passado dia 6 de Agosto no sítio do CERN (Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear), o primeiro servidor da Internet. Esta página lembra-nos os diferentes acontecimentos que explicam por que foi o ano de 1990 tão importante para a história do nosso mundo. O nascimento da Web é uma delas. A história é conhecida, mas muitos dos seus detalhes não.

A interligação de computadores em redes fechadas fora iniciada em 1969 com a Arpanet que ligava instituições de pesquisa dos EUA, mas foi Tim Berners-Lee,  um cientista britânico de 33 anos que chegara à Suíça em 1984, quem abriu a ligação da informação entre computadores ao mundo

Tim Berners-Lee via www.xtimeline.com (hoje)
Quando Tim chegou ao CERN, eram usados os mais diferentes tipos de computadores e formatos de documentos e o seu objectivo era então organizar grandes volumes de informação. Nesse sentido, elaborou em 1991 uma proposta de acesso por parte dos investigadores (através de um sistema de hipertexto que desenvolvera em 1988) a partir de qualquer parte do mundo, aos resultados dos colegas. Uma cópia desta primeira página web. está ainda hoje online.

O sistema baseava-se em três ferramentas: o Hypertext Markup Language (HTML) que descreve como páginas com hiperligações (links) são formatadas em diferentes plataformas de computação; o Hypertext Transfer Protocol (HTTP), a linguagem que os computadores usam para comunicar através da Internet; e o Universal Resource Identifier (URI) o esquema através do qual se indicam os endereços de documentos.

Nesta proposta hoje histórica (Information management: a proposal), Tim demonstrava como as informações poderiam ser facilmente transmitidas:  uma ideia «vaga, mas altamente interessante», foi a resposta escrita pelo chefe de Berners-Lee, Mike Sendall, no documento que é considerado hoje a certidão de nascimento da World Wide Web.

No ano seguinte, Robert Cailliau, um engenheiro de sistemas do CERN, tornou-se no primeiro utilizador da Web e é até hoje, como Tim Berners-Lee, um de seus grandes defensores.

Robert Cailliau via scr.csc.noctrl.edu (hoje)
Num trabalho paciente e minucioso, através de inúmeras conversas pessoais e longos emails, Tim e Robert convenceram os responsáveis e investigadores do CERN, bem como informáticos de todo o mundo da importância do projecto. Para reforçar seu lobby, Berners-Lee instalara simbolicamente na noite de Natal de 1990, no seu computador NeXT, o servidor info.cern.ch, um endereço ainda hoje activo. 

Recordemos que a maioria dos utilizadores então existentes não podiam aceder-lhe, na medida em se correspondiam em redes fechadas, como CompuServe, AOL ou Btx.  Não havia um fórum de onde eu pudesse esperar uma resposta, lembra Tim em 1999 no seu livro Der Web-Report. Sem falar de que na época não existiam evidentemente blogues ou wikis, que hoje facilitam todo o trabalho colaborativo.

O impulso decisivo viria contudo em Abril de 1993, quando o CERN abriu a Web ao público e Tim Berners-Lee renunciou ao registo de patente da invenção. Ainda assim, o sucesso da Internet só teria lugar fora do CERN e para tal foi necessária uma série de avanços tecnológicos, como o primeiro browser gráfico Mosaic, que em 1993 tornou a Internet acessível ao público em geral, ou a criação de motores de busca como o Google em 1998 .

Em 1994, o fundador da Microsoft, Bill Gates, ao reconhecer o potencial da rede,  inicia a disputa do mercado de browsers contra o Netscape (sucessor do Mosaic). No mesmo ano, Tim Berners-Lee parte  para os EUA, onde funda, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), o World Wide Web Consortium (W3C) que até hoje controla e normaliza os desenvolvimentos tecnológicos da Web.

Neste sentido, é importante mencionar que, contrariamente a Bil Gates e outros  criadores e protagonistas da Web, Berners-Lee nunca se tornaria rico. Afirma a propósito que tomara importantes decisões conscientes sobre o rumo que a sua vida deveria seguir e que uma delas era essa: a partilha do conhecimento deveria manter-se universal e gratuita.

Estima-se que existam hoje mais de 80 milhões de websites (dado do CERN), 625 milhões de computadores em rede (número da DPA, Communications Corp., empresa canadiense especializada em formação e consultoria na área da computação) e centenas de milhões de utilizadores da Internet. O acesso Internet, ou o mundo à distância de um clique, é hoje cada vez mais indissociável do trabalho com qualquer tipo de tecnologia de comunicação.

Fonte: http://www.swissinfo.ch/por/ciencia_tecnologia/Cern_comemora_os_20_anos_da_web.html?cid=891624

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

The web of live: we are all connected

Via WWF México
A Fundação World Wildlife na campanha dos seus 50 anos de existência e de 20 anos de presença no México, conjuntamente com a empresa Ogilvy & Mather Mexico e a produtora francesa Troublemakers, realizaram o vídeo A rede da vida: um aparente emaranhado de cordas, ao som de Imagine de John Lennon, pretende mostrar-nos como tudo no nosso planeta se encontra interligado. 

Imagens que é impossível não associar às das estruturas microscópicas da vida na Terra e às das estruturas macroscópicas do Universo, bem como as concebidas para ilustrar a Internet.