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quinta-feira, 26 de abril de 2012

No país dos adolescentes a ler: CNL 2012

Ao longo de seis anos, o Concurso Nacional de Leitura (CNL) transformou-se no maior evento de promoção da leitura dirigido aos adolescentes portugueses: milhares de jovens entre os 13 aos 17 anos, oriundos de cerca de 700 escolas do 3º. ciclo e do secundário, propõem-se ler dois livros indicados pelos seus professores. Deste universo de jovens cujos números não se se encontram ainda estimados com precisão, foram este ano apurados cerca de 2300 jovens que decidiram ler outros dois livros mais, desta feita selecionados por 18 Bibliotecas Públicas Municipais, uma por cada distrito.

O CNL em Ílhavo pelo distrito de Aveiro: fotografia de grupo.
É a estas 18 Bibliotecas que compete organizar a prova distrital: um evento em que centenas de jovens de um distrito se conhecem pela primeira vez, conjuntamente com muitos professores e bibliotecários que aí também se (re)encontram, e que, a propósito destas leituras comuns, convivem durante toda uma tarde. 
As provas distritais do CNL são uma grande festa de adolescentes leitores. Para tal, contam com o apoio de mais de duas centenas de técnicos de biblioteca e de professores, e a colaboração generosa de mais de meia centena de personalidades, entre escritores, ensaístas, músicos, políticos, jornalistas e apresentadores de televisão e de rádio que aceitam constituir os diferentes júris distritais e, deste modo, oferecem a sua imagem pública à promoção da leitura…
Ao longo deste dia de festa, o concelho anfitrião oferece a todos uma prestação artística: um bailado, uma peça de teatro ou de música, um momento de humor, na sua maioria protagonizados por jovens do concelho, e  ainda  um lanche que reúne todos em torno de uma grande mesa onde as conversas giram sempre em torno de livros e de leituras... A RTP1 apoia também generosamente este evento, divulgando as 18 provas distritais para todo o país através de reportagens realizadas no local. Depois de realizarem uma prova de conhecimento dos conteúdos lidos, os melhores passam a uma prestação oral, em palco, onde lhes é pedido que, perante todo o público reunido num anfiteatro, realizem as provas necessárias ao apuramento dos vencedores, que irão representar o distrito na final nacional!

Foto, como a anterior, da autoria da Biblioteca Municipal de Ílhavo.
 Como nos dizia um adolescente na semana passada: «Com os livros conhecemos outros lugares e outras pessoas, uns imaginários e outros reais: se não fosse o CNL, não teria vindo aqui nem teria conhecido tantas pessoas diferentes!»
Para se realizar, esta iniciativa do Plano Nacional de Leitura conta com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares (Ministério da Educação), da Direção Geral do Livro e das Bibliotecas (Secretaria de Estado da Cultura) e da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

«Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos?»: Bibliotecas Públicas Municipais 2012

RNBP 1987-2012

Tudo começou com um sonho porque na realidade tudo o que que é verdadeiramente importante na vida sempre começa como um sonho. Rómulo de Carvalho foi uma das personalidades da nossa história recente que o afirmou poética e hiperbolicamente em Eles não sabem que o sonho... E não certamente por acaso, foi este poema que o tornou popular no nosso país, quando toda a actividade deste professor, cientista e poeta era já então sobejamente conhecida no meio intelectual português.

Foi também assim que nasceu a RNBP... Um pequeno grupo de pessoas e um grande sonho. Uma imensa lacuna na construção de um país livre e democrático, muitíssimo trabalho, uma dedicação quase sem limites, um compromisso pessoal e social: «O sonho comanda a vida»!
  
 Do encantamento inicial com a «Hora do conto»...

... aos grandes Encontros em torno da narração oral, como as «Palavras Andarilhas», em Beja,
... e da leitura, como os «Caminhos da Leitura», em Pombal,
... à Web 2.0,
.... às bibliotecas digitais sobre o património intangível da nossa história local!
Interrogamo-nos muitas vezes, com desânimo, sobre como é possível o poder político, em particular o autárquico, não ter a noção do que é uma Biblioteca Pública Municipal, tanto no que significa para uma comunidade, como, para que funcione, em investimento em recursos humanos, bens, serviços e despesas correntes... Trabalhámos já tanto! Demos já tantas provas!

Deveríamos, contudo, recordar que os portugueses com mais de 35 anos não têm, nem poderiam ter, nem a noção de pertença, nem muito menos a das potencialidades de um Biblioteca Pública no sentido em que a UNESCO a define. Não que o trabalho realizado em Portugal nos últimos 25 anos nesta área, não tenha sido muitíssimo... Mas partimos de um patamar muito baixo e que, sem a Fundação Gulbenkian, seria próximo de 0. E não temos, como em outros países desenvolvidos, mais de 100 anos de presença ativa destes equipamentos culturais nas respetivas comunidades.

Quando as Bibliotecas Públicas Municipais / RNBP «chegaram» ao nosso país, nós, os que agora sabemos o que são e sobretudo o que podem ser estes equipamentos culturais, vivemos um tempo de encantamento. E também de muito estudo e reflexão.

Conhecemos, maravilhados, as bibliotecas públicas com mais de 100 anos...
... estudámos, em francês e em inglês, o tratamento documental,
... a gestão biblioteconómica,

.... aprendemos UNIMARC,
     
e analisámos a Z 39-50, em «bibliotequês» puro e duro!

Entre o deslumbramento, o compromisso e o espírito de serviço público, dedicámos dias e dias de imaginação ao espaço maravilhoso da hora do conto, estudámos o equipamento específico das bibliotecas públicas (dos pufs às estantes compactas de depósito), os espaços e os circuitos funcionais da Biblioteca. Discutimos até à exaustão e acesamente o livre acesso, a CDU, os centros de interesse, o sistema de cotação… E, quase sem interrupção, as bases de dados bibliográficos, o Unimarc, o $a, o campo 702, as Porbases, a importação de registos, a Z 39.50... No conjunto de todos nós, investimos meses e meses, anos, na construção de um saber técnico especializado com que contribuímos para que ganhassem vida os edifícios das Bibliotecas Municipais do nosso país.

«Levantadas do chão» com o incentivo e o apoio da DGLB, com a vontade por vezes visionária de muitos autarcas e com o trabalho incansável de bibliotecários e outros técnicos comprometidos com esta causa, podemos afirmar que é agora, em 2012, que existe uma rede de bibliotecas públicas de dimensão nacional.  Mas é também agora que as Bibliotecas Públicas Municipais irão ter de vencer um enorme desafio. Mais um, é verdade. Mas estrutural.

Com efeito, a crise que vivemos, conjugada com as mudanças tecnológicas em constante aceleramento, tanto poderão consolidar a inscrição definitiva das Bibliotecas Públicas nas suas comunidades, como demonstrar que as Bibliotecas Municipais em alguns casos deixaram de fazer sentido. Talvez, no conjunto do território nacional, ambas as situações ocorram: nuns sítios evoluindo as Bibliotecas Públicas para grande centros de partilha crítica de todas as formas de conhecimento, noutros pura e simplesmente fechando as portas.

RNBP 2012-2037?
É verdade que não podemos conhecer de antemão o futuro mapa que sinalizará a RNBP nos próximos 25 anos. Talvez seja efectivamente muito difícil prever o que sucederá com este tipo específico de equipamento cultural, mesmo nos países em que as Bibliotecas vivem há mais de 100 anos. Todavia, o que sabemos seguramente, é que este é um tempo em que as Bibliotecas Públicas serão postas à prova e que este desafio deverá ser encarado como um estímulo e uma oportunidade únicos. 

Porque a manutenção de Bibliotecas Públicas ativas implica efetivamente um investimento  financeiro contínuo, por parte do poder político, e um investimento em estudo, trabalho, reflexão e criatividade permanentes, por parte das respetivas equipas técnicas: uma dedicação que apenas o amor ao que fazemos e o espírito de missão poderão muitas vezes sustentar. Pelo que necessitamos, mais do que nunca, de estudar e de trabalhar muito, de reunir esforços e de partilhar projectos. E de não prescindir de uma grande dose de sonho, de preferência em formato XXXL. O formato dos sonhos verdadeiramente importantes na vida.

    
                                                                   
                                                                   Pelo sonho é que vamos,
                                                                   comovidos e mudos.
                                                                   Chegamos? Não chegamos?
                                                                   ....... 


                                                                   ─ Partimos. Vamos. Somos.
                                                                                             Sebastião da Gama